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Nado sincronizado do Japão nos Jogos Asiáticos de 2014 na Coreia do Sul (Getty Images)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Neguinho, o pistoleiro

por Maria Shirts   ilustração Ligia Morresi

“Oi… Marcio?”

“Isso!”

“Boa noite!” saúdo o taxista do apllicativo, entrando no carro.

“Posso te dar uma dica?”.

“Pode, claro”, respondi, um pouco apreensiva.

“Nunca pergunte o nome do taxista antes de entrar. Sempre diga ‘você veio buscar quem?’. Porque o cara pode tá agindo de má fé e vai falar que é o taxista quando ele não é, sabe”.

“Ahn…” me limitei a grunhir, um pouco perplexa com a paranoia do motorista.

“Hoje em dia a gente nunca sabe moça. E aí, vamo pra onde?”.

“Vamo lá pra Vila Romana. Acho que você pode ir aqui por dentro, pela Vanderlei, sabe?”.

“Ah esse caminho né bom não. Por dentro é escuro, vai que uma moto segue a gente…”

“Bom, moço, então faz o caminho que o senhor quiser”.

“To falando pro nosso bem senhora. Hoje em dia tem um monte de motoqueiro ladrão. Você nunca foi assaltada por um motoqueiro?”.

“Já….” respondi, agora já um tanto arrependida.

“Pois então. Esses dias um colega meu matou um filha da puta desses”.

“Como assim moço? Que horror”.

“Foi a reação dele ué”.

“Mas ele não ficou em choque de matar uma pessoa?”

“Ficou. Mas é o que dizem né, depois do primeiro…”

“Hein?”

“Sabe como é moça. Quem mata um pega gosto”.

“Na verdade não, não sei não”.

“O meu amigo neguinho que falava isso. Trabalhou pro meu pai lá na Mooca, quando a família tinha negócio no bairro. Na verdade ele começou a dormir lá porque era meio desabrigado, não tinha casa, mas era boa gente sabe. Aí meio que cuidava da loja, tipo vigia, sabe? Um dia entrô um cara lá pa roubar o caixa e assustou, de certo, quando viu o neguinho. Diz que o ladrão partiu pra cima, era ele ou o cara”.

“Eu hein”.

“Pois é… aí o neguinho matou o bandido na facada. Vomitou a noite inteira, ficou mal, disse que nunca mais ia conseguir dormir. Precisou remédio pra derrubar o hômi. E olha que ele era grande. Ma nunca tinha relado o dedo em ninguém sabe”.

“Sei…”

“Fia, eu sei que o hômi pegou um gosto pela coisa. Ma um gosto. Que depois disso ele virou o maior matador de aluguel que a Mooca já viu”. “Como assim moço?”.

“Assim ué. Matava com prazer. Tinha vez que ele matava sem receber, quando os cara assaltava loja de amigo dele”.

“Geeente… que horrível”.

“Tem quem goste né”.

“Tem?”

“Ô…”

“Mas e aí moço, que fim deu o neguinho?”

“Morreu”.

“Do que?”

“Matador de aluguel. Encomendaram a morte dele”.

“….”

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Maria Shirts, internacionalista e pedestrianista, mantém a coluna Transeunte Urbana. Ilustração Ligia Morresi, especial para o texto

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ínfimo glossário contemporâneo 3


por Júnia Puglia     ilustração Fernando Vianna*

Aborto proibido – Tema de interesse obsessivo e bandeira política dos religiosos fundamentalistas, mais importante que o racismo, a miséria e a injustiça; e as mulheres que se lasquem!

Aécio – Nem antes, nem depois; Never!

Água – substância essencial para a existência e a manutenção da vida, que anda sumida, no estado mais populoso do país; será este o início de vigorosos movimentos migratórios de paulistas para Bahia, Pernambuco, Ceará e Paraíba?

Aranha – goleiro negro alvo de ofensas racistas, que desobedece Pelé, exige respeito e não volta para a casinha, sendo, portanto, tratado como encrenqueiro e mal humorado

Argentina – país vizinho que não cansa de surpreender com sua retórica trágica e sua capacidade de submergir e emergir, exercidas sem trégua

Arruda – erva daninha corrosiva; precisa ser urgente e definitivamente erradicada

Beijinho no ombro – hino das peruas poderosas cheias de atitude – vai encarar?

Casamento – palavra que define a união de duas pessoas: homem com mulher, mulher com mulher, homem com homem e o que mais se inventar; há quem insista numa reserva de mercado para a categoria “homem com mulher”, mas reservas de mercado são sempre desastrosas; segundo o oráculo global Dráuzio Varela, quem se incomodar com as variações deve consultar um psiquiatra

Ciclovia – via para o trânsito exclusivo de bicicletas, muito apreciada por paulistanos em Londres e Amsterdã

Classe média – em forte crescimento no país, apesar do ódio que lhe dedicam os ideólogos do PT; a turma mais antiga tem reclamado da chegada dos pretos, mas acaba de receber o baita reforço de Eike Batista, recebido de braços abertos

Desocupação – sórdida atividade de, por meio da violência extrema, enxotar moradores provisórios informais e recuperar a posse formal de edifícios abandonados, para que continuem abandonados; exercida com sangue nos olhos

Dilma – candidata que, ao ser sabatinada e entrevistada, gosta de responder e argumentar – onde já se viu?

Distrito Federal – unidade da federação que detém altos índices de renda e escolaridade, mas onde elegemos cada estrupício, que nem te conto

Ebola – mais um flagelo africano, com potencial devastador, que já matou milhares de nativos; possibilidades de cura começaram a surgir após a contaminação de meia dúzia de caucasianos

Eduardo Jorge – candidato a Presidente que fez a viagem de volta de Woodstock a pé; acabou de chegar, trazendo novidades incríveis

Estado Islâmico – incompreensível para meus minguados neurônios

Família – (ai que preguiça!) célula-mãe, célula-pai, célula-mães, célula-pais da sociedade; tem aí um pessoalzinho muito oferecido, preocupado em proteger e cuidar da sua, da minha e de todas, mas, de minha parte, dispenso a ajuda

Fome – privação alimentar; o Brasil livrou-se dela, mas ninguém deu importância, exceto quem a conheceu bem

Fundamentalismo – opção religiosa baseada no ódio e no desprezo pela humanidade

Horário eleitoral – tortura cotidiana, francamente patética, que dá uma ótima ideia da indigência do atual sistema político

Jandira dos Santos – apenas uma vítima a mais dos abortos clandestinos; ninguém se importa; esta tem nome e sobrenome

Lésbicas, gays e demais letrinhas – grupo populacional com incontrolável poder de suscitar a fantasia e a libido de religiosos fundamentalistas machos pra caramba

Luciana – gaúcha faca-na-bota, que enquadra entrevistadores obtusos e concorrentes cínicos

Marinar – ato de temperar o eleitorado com palavrório, incertezas e lágrimas

Mobilidade urbana – sonho dos moradores das nossas metrópoles, mas ai de quem ousar inverter a lógica atual

Pastor – profissional extinto no ramo pecuário por obsolescência da função; título utilizado por líderes de congregações evangélicas; mais recentemente, adorno incorporado ao nome próprio para fins eleitorais

Petrobras – petróleo brasileiro usado para incontáveis e inconfessáveis fins

Racismo – não existe no Brasil, certo?

Rio de Janeiro – cidade onde o nosso melhor e o nosso pior se encontram; uma hora dessas, um dos lados vai ganhar o embate; tremo quando penso nisto

Rússia – país dos czares, do caviar e da vodka; quando esses três elementos se misturam, sobra pra toda a vizinhança

Sexo e as Negas – inacreditável e imperdoável pisada na bola

Sincericídio – ser sincero/a e subir na frigideira

Sutiã – peça de roupa íntima feminina que sustenta e acomoda os seios; nos anos setenta, foi alvo da fúria feminista, mas não perdeu a pose; atualmente, a modalidade “com bojo” é denunciada como “propaganda enganosa” pelo nobre deputado federal Gilmar Fernandes, que, não tendo encontrado nada mais relevante em que ocupar o mandato, propõe a sua proibição

Ucrânia – país de frio inclemente e Rússia fungando no cangote; sai dessa!

Uruguai – o menor dos países vizinhos, onde o casamento homossexual, o aborto e a maconha estão legalizados; seu Presidente recebe pedidos de visto de residência no sítio onde cultiva brócolis e cria galinhas poedeiras, pitando cigarros de fumo de rolo feitos à mão

Venezuela – o bicho-papão da vez: “se você não votar no DEM ou no PSBD, mamãe vai te mandar pra Venezuela!”

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Júnia Puglia, cronista, mantém a coluna semanal De um tudo. Ilustração de Fernando Vianna, artista gráfico e engenheiro, especial para o texto. Emails para esta coluna devem ser enviados a: deumtudocronicas@gmail.com

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Discoteca de músico: Cesinha Pivetta

por Marcos Grinspum Ferraz   Ilustração de Victor Zalma*

Um defensor engajado do samba tradicional e da cultura popular. É assim o Cesinha Pivetta (no retrato de Marcos Hermes), jovem cantor e compositor paulistano que lançou este ano seu primeiro disco solo, “Nossa Bandeira”, e que desde 2007 é um dos cabeças do Samba do Bule – grupo que se reúne para pesquisar e tocar sambas, e que promove mensalmente uma concorrida roda no Teatro Popular União e Olho Vivo, no Bom Retiro (São Paulo). Quem já assistiu de perto o Bule ou um show do Cesinha – e quem ainda não, deveria – percebe logo sua paixão pela música de raiz brasileira. E assim é feito seu samba, com intensidade.

Seguindo com a proposta de reunir nesta “Discoteca de Músico” artistas dos mais variados estilos, convidei o Pivetta, que conheço desde os tempos de colégio, para fazer aqui as escolhas de discos e clipes que marcaram sua vida. Depois de Tim Bernardes, Rashid, Bruna Caram, Gabriel Basile e Flora Poppovic, ele é o sexto entrevistado da série, que mensalmente traz um artista respondendo às mesmas cinco questões. A ideia é ter, no fim do processo, uma espécie de discoteca/videoteca virtual feita pelos músicos, voltada para o público que quer conhecer mais os artistas ou mesmo que busca sugestões do que ver e ouvir.

E por ser tão mais ligado às linguagens musicais tradicionais, Cesinha subverteu um pouco as regras do jogo aqui na coluna – na parte audiovisual – o que foi muito bem-vindo. Como bom bamba, se saiu bem do impasse de não saber dizer quais os videoclipes que o marcaram positivamente durante a vida. E, ao meu ver, o bom é saber que há de tudo na nova geração da música brasileira: quem faça rock, rap, pop, reggae, música eletrônica, funk, quem misture tudo e também quem se dedique a não deixar a chama do samba tradicional morrer. Vale a pena conhecer o som de Cesinha Pivetta, do Samba do Bule, de Lello di Sarno, do Nervos de Aço e tantos outros.

Um disco brasileiro que marcou sua formação musical

“Partido em 5”. Esse é o registro puro de uma roda de samba. Marcou profundamente pra mim pois ouvi ali o que diversas vezes havia vivido perambulando por aí. Velha, Casquinha, Wilson Moreira, Anézio e Joãozinho da Pecadora contaram com a participação de mestre Candeia e não utilizam recurso especial nenhum para a gravação, ao vivo, de uma sequência de sambas de partido-alto que fui reconhecendo e nunca soube de onde vinham. Neste disco figuram também Luna e Marçal, dois monstros na cozinha que são referência para qualquer amante de batucada como eu.

Um disco gringo que marcou sua formação musical

“Bob Marley and the Wailers, Live” – ‘Nossa, isso é legal também!’. Essa foi minha primeira reação ao escutar esse disco. Sempre fui muito restrito ao samba e em certo momento também ao próprio pagodão, mas em alguns momentos me deixei levar pela música gringa por influência dos colegas, primos... Em casa jazz e blues já tinham o gosto de minha mãe, e sempre passou legal pelos meus ouvidos, fazendo também parte da minha formação. Mas foi quando ouvi Bob que descobri algo que me fizesse querer entender melhor a língua inglesa, que sempre rejeitei. Vi ali um sujeito parecido com bambas do nosso samba, falando e mostrando sua simplicidade e quem sabe, daí, a transformação, a busca de um mundo mais justo.

Um disco lançado nos últimos anos que te marcou profundamente

“Lamento do Samba”, do Paulo César Pinheiro. Este disco me fez ver o samba de uma maneira diferente. Estes versos para mim se tornaram mantras: “O segredo da força do samba/ É a vivência do seu fundamento/ O que faz ser eterno um bom samba/ É a beleza que tem seu lamento.” O samba “Nomes de Favela”, que só conheci com o lançamento deste disco, em 2003, considero um verdadeiro hino.

Um videoclipe que marcou sua formação

“Brincadeira de Criança”, do Molejo. Falar de clipe pra mim é muito difícil, pois nunca tive o costume de acompanhar MTV, etc. Mas lembro bem deste clipe, ele me marcou, talvez negativamente (tinha pesadelos) mas duvido que alguém não se lembre!



Um videoclipe lançado nos últimos anos que te marcou profundamente

Olha....impossível eu conseguir um clipe que tenha me marcado profundamente na última década... não lembro nem de um que tenha visto... Então resolvi inverter tudo aqui sem saber se vale ou não. Vai um curta metragem bem mais velho que a última década sobre partido alto.



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Marcos Grinspum Ferraz, jornalista e saxofonista da banda Trupe Chá de Boldo mantém a coluna mensal Verbo Sonoro, sobre cultura, música e afins. llustração de Victor Zalma, especial para a série

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Vício de linguagem

por Celso Vicenzi*

Se você é do tipo que encara de frente os desafios, que presta atenção em pequenos detalhes, planeja antecipadamente, gosta de fazer planos para o futuro, sem adiar para depois, costuma seguir a grande maioria e não vê razão para preocupar-se, leia novamente a frase, agora com mais atenção, e repare como costumamos ser redundantes no dia a dia, falando ou escrevendo. Raros são aqueles capazes de manter uma comunicação, principalmente informal, sem cometer nenhum deslize com os vícios de linguagem, como as redundâncias, que são repetições inúteis, porque nada acrescentam ao que a palavra já expressa.

Quem encara, só pode fazê-lo de frente. Detalhes são sempre pequenos, todo planejamento é antecipado e ninguém faz planos para o presente ou passado – sempre para o futuro. Da mesma forma, quem adia algo, é para depois. Maioria nunca pode ser pequena, assim como minoria nunca será grande, logo, os reforços (grande, pequena) são dispensáveis.

O que não se deve dispensar é o uso correto da linguagem, que é a roupagem de toda a comunicação oral e escrita. Também não há necessidade de tornar-se obsessivo em relação ao uso culto da língua, salvo se você for um profissional que a utiliza para ganhar o pão de cada dia, como, por exemplo, um professor de português, um escritor, um jornalista.

Por preguiça, por (mau) hábito ou desconhecimento, certo é que não passamos incólumes, vez ou outra, de escorregar em uma redundância. É fácil lembrar das óbvias, como subir para cima, descer para baixo ou recuar para trás.

A redundância é um vício de linguagem, enquanto o pleonasmo – parecido – é uma figura de linguagem, utilizada para reforçar e dar expressividade à oração. O recurso é muito utilizado em letras de músicas, algumas antológicas, como por exemplo, do rei Roberto Carlos (“Detalhes tão pequenos de nós dois...”), ou de Jorge Benjor (“Chove chuva...”). E também entre grandes escritores e poetas. Vinicius de Moraes, em um de seus poemas mais famosos, o Soneto de Fidelidade, escreveu: “E rir meu riso...”.

Mas, na linguagem do dia a dia, melhor tomar cuidado para não piorar mais, reincidir de novo, abusar demais, porque, regra geral, não é de bom tom repetir outra vez o que é desnecessário.

Sei que é difícil, porque até mesmo em jornais, revistas, na tevê e no rádio ocorre cotidianamente. Ou você nunca leu e ouviu que há um consenso geral sobre a descoberta de novos indícios de uma quantia de dinheiro recebida em mãos numa negociata suja em que o principal protagonista é figura por demais conhecida de todos?

É fato verídico em boa parte do Brasil. E agora que nova eleição se aproxima e você vai comparecer em pessoa à urna, mostre que está atento(a). Às redundâncias e ao futuro do país.

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Celso Vicenzi, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, com atuação em rádio, TV, jornal, revista e assessoria de imprensa. Prêmio Esso de Ciência e Tecnologia. Autor de “Gol é Orgasmo”, com ilustrações de Paulo Caruso, editora Unisul. Escreve humor no tuíter @celso_vicenzi. “Tantos anos como autodidata me transformaram nisso que hoje sou: um autoignorante!”. Mantém no NR a coluna Letras e Caracteres.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Retrato do Brasil pós-racial


por Cidinha da Silva*

Estranho país era aquele! Havia um rei eleito pelo esporte mais popular do reino que não defendia seu povo. Ao contrário, quando um membro do povo era atacado, estranhamente, ele argumentava com olhos marejados, que ataques deveriam ser ignorados. Falar dos problemas e exigir justiça não traria nada de bom, apenas amplificaria os problemas e os tornaria mais insuportáveis. Bom mesmo era silenciar e seguir como burro de cabeça baixa e olhos vendados.

Naquele país, técnico de futebol chamava a não-aceitação do racismo institucional nas arquibancadas dos jogos de “esparrela” e "armação" do jogador agredido. Denunciante virava algoz e era perseguido pela imprensa. Denunciada tornava-se celebridade com direito a participação em programas de auditório com cabelo repaginado, acolhimento dos profissionais do entretenimento televisivo e bastante tempo para explicar e justificar seu crime, além de conquistar simpatia e cumplicidade do público ávido para inocentá-la e para deixar as coisas como sempre foram. Estudava-se um convite para que a jovem denunciada por atos racistas colaborasse no roteiro de novos episódios da série televisiva “As negras como as vemos.”

Naquelas terras de pretos, durante o passado escravista, uns poucos brancos protegiam os negros rebelados, algumas vezes por compromisso com o humano, noutras por interesses econômicos. Agora os tempos eram outros. Os negros herdeiros dos negreiros, posicionados em universidades e outros lugares sociais de destaque miravam os fatos midiáticos com o objetivo de projetar seus negócios, de enraizá-los no seio da elite, de fazer reverberar a marca da comercialização do ensino em corações e mentes.

Assim, na contramão da história escrita pelos vencidos, os herdeiros do imaginário negreiro aliavam-se aos herdeiros dos vencedores do passado, cuidando da retaguarda enquanto os generais se recompunham e se armavam. Triste país, aquele.

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escritora, Cidinha da Silva mantém a coluna semanal Dublê de Ogum. Ilustração: Djanira da Mota e Silva, sem título, 1959. Óleo/tela. Foto: Pedro Oswaldo Cruz
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