Praça Tahrir durante protesto que marca o primeiro aniversário da revolta do Egito. (Suhaib Salem / Reuters)

sábado, 28 de janeiro de 2012

A revolta era tudo que eles tinham

Amanhã faz uma semana da reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos. Abaixo, o relato do jornalista Rodrigo Mendes de Almeida, colunista do NR, que foi ver de perto a ação policial e a desolação dos desabrigados. É um relato subjetivo, diante do bombardeio de informações ao longo da semana. O texto é uma tentativa, como diz Rodrigo, de “dividir um pouco do que senti estando no local de uma tragédia”.
 
Nunca havia visto nem sentido nada que se aproximasse do que senti no Pinheirinho. O clima era de terror e pânico. A desorientação das pessoas que não entendiam como podiam ser violentadas de forma tão brutal era evidente, um sentimento pungente de desolação.

O desamparo de gente que tinha uma casa, que tentava construir uma vida e que, de uma hora para outra, estava na rua, pedindo ajuda para beber água e comer. Uma tragédia calculada minuciosamente, com frieza, e levada a cabo com requintes de crueldade que nenhum tipo de política pode explicar. O saldo: cerca de nove mil pessoas jogadas na rua, alguns mortos, muitos feridos. Vidas arruinadas.

Nosso grupo andando pelo bairro vizinho ao Pinheirinho, em São José dos Campos, chamava muita atenção. Não tinha como passarmos despercebidos, éramos claramente de fora.

Sem contar o fato de que, no Campo dos Alemães, todos estavam fora de suas casas. O bairro é vizinho ao Pinheirinho e suas ruas estavam lotadas. Todos em silêncio, olhares atentos. Muito pesado, muito tenso. Todos com medo. O Pinheirinho estava isolado pelas barreiras da tropa de choque.

Muitos jovens de bicicleta: adolescentes, pré-adolescente e pós-adolescentes. As crianças ficavam enrodilhadas nos pés dos pais. Bastava um sinal de polícia despontando, a algumas esquinas de distância, ou sendo precedida pela luz da sirene, a correria era geral. Não importava quem: todos estavam com muito medo da polícia e de suas bombas e tiros.

Os jovens, os adultos, todos saíam do caminho. Isso porque, como alguns moradores nos disseram, não podia haver nenhuma aglomeração, nenhum grupinho de três, quatro pessoas que, se a polícia visse, de longe já começava a atirar com bala de borracha e usar bombas de efeito moral.

Dobrando à direita em direção ao que seria o alojamento preparado para receber os recém-desabrigados, vi uma mãe andando a esmo com um cesto de bebê num braço, segurando uma criança pela mão do outro. Em vez de um bebê dentro do cesto, um filhotinho de cachorro, todo preto, não mais velho que alguns dias.

Penso em quantos animais foram deixados para trás, como parte da mobília das casas, para serem “demolidos” junto das casas.

Talvez aquela família estivesse a caminho da igreja, onde havia a maior concentração de pessoas que foram expulsas de suas casas naquele domingo. Foi para onde fomos. Lá, conversando com uma liderança do movimento, ouvi que essa ação foi diferente. “Nunca vi nada igual”, disse. Em geral há um verniz democrático, republicano, de cumprimento da lei. Naquele dia, o oficial da justiça federal foi expulso a bala de borracha.

Isso foi para o oficial de justiça, pois, diferente do que foi dito, a polícia usou, sim, bala de chumbo.

Havia algumas centenas de pessoas na rua, em frente à igreja, esperando o padre abri-la. Ninguém sabia dizer por que a polícia não dispersava apenas aquela concentração de gente – com grupos muito menores havia bem mais violência.

Um carro de som
pede água aos vizinhos


Ouço que não há nenhuma certeza de quem morreu, de quem pode ter morrido, mas que com certeza ocorreram falecimentos. Teve gente que tomou tiro de bala de borracha. Teve gente que tomou tiro de bala de chumbo. Alguém me conta que, até pouco antes, o helicóptero da polícia – que, naquela altura, ainda rondava acima de nossas cabeças, com potentes holofotes apontados para nós – era quem lançava parte das bombas.

Eu via pessoas com malas. Via alguns carros carregados. E via algumas pessoas sem nada. Alguém usa o carro de som para pedir aos vizinhos que tragam água, pois os desabrigados não tiveram nem como beber água durante o dia.

Converso com um senhor, que diz que não conseguiu pegar nada de sua casa. Pergunto o que “eles” falaram, se daria para pegar depois seus pertences. Ele afirma que deveria dar, mas que não havia nenhuma segurança de que sua casa estaria inteira ainda. “Eu era o músico da cidade”, explica ele, “era com a minha aparelhagem que o pessoal fazia as assembleias, na igreja evangélica”. Presto atenção ao tempo verbal, “era” o músico da cidade. E como fazer agora, sem aparelhagem?

Mesmo na noite escura, pude ver seus olhos marejarem. Ele levanta o boné, passa a mão na cabeça engolindo o choro. Levanta a mão que tinha uma sacola de plástico e oferece: “Vamos tomar um café. Está com adoçante mas está bom”. Recuso gentilmente. Nada passaria na minha garganta. “E água? Tem água também...”

Na rua do lado, várias pessoas faziam barricadas, queimando o que parecia ser um sofá. Começaram a quebrar as placas das ruas para alimentar o fogo. Pegavam tudo que tinham à mão e que não pertenciam a ninguém para alimentar o fogo. Já tínhamos passado por várias barricadas daquela. A primeira, inclusive, na maior avenida, já estava até apagada com os restos de um carro, inidentificável.

A revolta era tudo que eles tinham. A força dos policiais, a arbitrariedade com que eles trataram aquelas pessoas levou a isso. Um grupo de uns oito meninos, vindo da direção da barricada, passa de bicicleta – sempre as bicicletas – e ouço um deles “bora, lá em casa tem álcool”.

Eu nunca tinha vivenciado nada assim. Parecia guerra mesmo ou como imagino ser uma. Qualquer barulho assusta. Ao andar pela rua dava para sentir a respiração das pessoas e a tensão. A opressão de se estar cercado de um monte de soldados armados até os dentes. Bombas estourando ao fundo se tornaram um barulho comum. Volta e meia acontecia alguma coisa e um monte de gente saía correndo de algum lugar.

Companheiros foram aos hospitais da cidade em busca de informações. Segundo relataram, os médicos e funcionários negavam que tivesse chegado qualquer pessoa do Pinheirinho. Mas conversando com outras pessoas, o vendedor de cachorro quente da porta do hospital, o outro paciente que ainda estava na sala de espera, todos contam, de forma unânime, das pessoas que viram chegando, ensanguentadas, arrebentadas.

Várias pessoas. Crianças. Inclusive uma de três anos, que foi a primeira vítima confirmada da operação – corroborando a história que havia circulado do lado de fora da igreja. Nos hospitais, policiais militares circulavam pelos corredores. Havia uma deliberada e ordenada sonegação de informações.

Depois que as pessoas entraram na igreja, resolvemos ir embora, já que as portas seriam fechadas. Passando pelas ruas cada vez mais desertas, ainda víamos algumas pessoas em silêncio, só olhando tudo que acontecia em volta. Com medo. Em uma praça, uma biblioteca queimava, completamente incendiada.

Nós ainda chamávamos atenção. Mais do que as barricadas em chamas.

Rodrigo Mendes de Almeida, jornalista e editor de livros, especial para o NR. Foto do cachorro no pós-reintegração de Victor Moriyama, também colunista do NR, realizada para o jornal O Vale, São José dos Campos.

O estupro da razão

Volto ao país depois de merecidas férias. Visto à distância, o Brasil é um país como outro qualquer. É como estar em São Paulo, por exemplo, e ler as notícias sobre países europeus, asiáticos ou sobre nossos vizinhos sul-americanos.

As notícias do dia a dia são muitas vezes superficiais, sensacionalistas, procurando encobrir a natureza dos motivos pelos quais elas acontecem ou se desenvolvem.

A diferença, é claro, se dará por conta do conhecimento que temos da nossa própria realidade, os interesses e os fatores objetivos e subjetivos que se entrelaçam na informação produzida por jornais, televisões, revistas, sites e blogues.

A Rede Globo de Televisão, beneficiária e por isso mesmo defensora do golpe de Estado no Brasil em 1964 (ou seria o contrário?) chamou uma vez mais para si os olhares da nação, muitos deles cada vez mais descontentes com o que ali assistem.

Detentora de uma estratégia e de um marketing de comunicação imposto pelo poder econômico que construiu e que a sustenta, a emissora vem atravessando os anos colocando-se acima das leis e da Constituição, uma vez que o seu DNA foi formado no período autoritário mais recente da história política brasileira.

Ao se arrogar em fazer o que quer, a Rede Globo finge não ver que a ditadura já terminou e apresenta-se com aquela prepotência dos que fingem que nada de mais se passa à sua volta. Coloca-se acima da própria Constituição do país. Consultar os artigos. 221 e 223 da Constituição.

Talvez o braço mais forte do pequeno grupo que comanda impunemente a informação no Brasil, a “Venus platinada”, como alguns a chamaram ou ainda a chamam, não tem pelo país qualquer tipo de consideração, a não ser aquela – é claro – em benefício próprio, quando se proclama líder de audiência em vetustos programas, entre eles alguns já mofados e embolorados como “Fantástico”, “Jornal Nacional”, “Faustão”, “Programa da Xuxa” e a maioria de suas telenovelas, cujo conteúdo, aliás, é de dar enjôo em antiácido.

Baseados na antiga falácia de que a televisão produz aquilo que o povo gosta de ver, as emissoras de um modo geral e a Rede Globo em particular, mistura alhos com bugalhos propositadamente, pois sabe que um povo desinformado, confuso, indisciplinado, ignorante de seus direitos constitucionais, iludido por partidos políticos de pouca ou nenhuma expressão ideológica, é um povo paralisado e medroso.

A estratégia de desinformação coloca o cidadão diante da dúvida, da negação da própria política, do desânimo, da apatia, do medo.

Ainda assim, é possível identificar alguns bolsões de resistência a esse plano de manipulação de consciências e de votos, que transforma o país num amálgama de incertezas.

As manifestações de vários setores da sociedade quanto ao possível estupro de uma cidadã brasileira num programa de qualidade cultural zero são sinais de conscientização do entrave que representa para a democracia a existência de uma mídia partidarizada e defensora dos privilégios do poder econômico.

Imprensa livre, sim, mas não usurpadora do poder político, também ele livre, dos cidadãos e contribuintes.

Condenável sob todos os aspectos, até porque toda a armação foi para aumentar a audiência de um programa lamentável, o maior estupro não é o que a TV Globo mostrou, mas é o estupro que se faz da razão, da nossa inteligência e da própria democracia.

Izaías Almada, dramaturgo e escritor, colunista do NR

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A isca de Felipe

– Eita sensação de merda, puta que o pariu!, resmunga Jurandir no seu carro, um modelo SUV, parado no farol da avenida Brasil com a Henrique Schaumann, em São Paulo.

Ele vê o mesmo que todo paulistano motorizado: jovens em busca de um trocado fazendo malabares com bolinhas e bastões enquanto a cidade corre insana.

– Toma aqui rapaz! Você é esforçado.

O mesmo gesto é repetido ao longo do dia por centenas de motoristas diante do desajeitado Felipe, um negro baixo de 16 anos, rosto bolachudo, e muito magro de cabelo rastafári e tranças coloridas em vermelho e amarelo.

Lipe, como foi apelidado pelos camaradas do entorno, trabalha de segunda a sábado, das 8h às 20h. Levanta cinco da matina, veste tênis, bermuda, camiseta, pega mochila e o material de trabalho – cinco velhas bolas de tênis – e sai vazado. Não há tempo a perder.

Come no caminho do trabalho, nas barracas que ficam próximas a estação. O menu: café com leite no copo de plástico e um saquinho de pão de queijo com dez unidades, total: 3 reais, preço da passagem do ônibus que ele economiza pegando o trem sem pagar ao entrar por uma fresta no muro que margeia a linha da CPTM.

Tem dois irmãos homens, e a mãe, Luzia, é diarista. Todos moram na Zona Leste, em Itaquera. O pai, seu José Pinto, morreu numa briga de boteco, “culpa do álcool”, diz ela.

O lance de Felipe nos malabares é fruto dessa tragédia familiar. A mãe, desesperada com o déficit no orçamento, mandou os filhos buscarem sustento.

– Ah, meus filhos, tem que dar jeito nessa vida, tem que dar!

Ela mesma dobrou sua atividade laboral o que lhe rendeu artrite e fortes dores nas costas, aliviadas com remédios que retira mensalmente no SUS.

Eram garotos ainda quando tiveram de abandonar os estudos e paixões, no caso de Lipe, a escolinha de futebol, onde despontava como volante driblador e habilidoso que sonhava vestir a camisa do Corinthians.

Do ídolo Vampeta tem o autógrafo, guardado dentro da única gaveta que possui, no quarto único que divide com os irmãos.

– A minha história é foda, mas e daí, quem tem a ver com isso?, pensa entre um e outro solavanco do busão.

Lipe sabe que sua vida é marginal. Já escutou na tevê e sempre lembra que ser pobre tem a ver com um tal de “capitalismo” que não distribui a renda, que a educação é boa para uns e nenhuma para outros e outras coisas que ele não sabe explicar bem.

Lipe sabe que não ter estudo o condena ao ostracismo cultural e profissional, por isso, decidiu que o farol, por mais contraditório que possa ser, vai salvar sua vida. E que vai ganhar o máximo que puder para ajudar a mãe e se ajudar. Lipe quer fazer educação física e ser preparador físico do timão. Felipe sonha, ora, como qualquer garoto de sua idade.

Observador, sabe que ninguém gosta de gente pedindo esmola na janela do carro.

– É um saco quando, em todo e qualquer farol, aparece alguém jogando bolinhas ou bastões para o alto na tentativa de te convencer de aquele é um talento que mereça ser remunerado – ouviu Lipe, certa vez.

Felipe sabe disso. Mas não há tempo a perder.

– E a concorrência, meu irmão, é grande – repete para si mesmo.

Muito esperto, ele sabe que assalto, violência e a indiferença são o maior entrave ao seu "negócio" no farol. Mas ele não tem pena de si mesmo. Deixa para os outros.

E a cena se repete, diariamente: sobe a primeira bola velha de tênis, a segunda, a terceira e na quarta... todas vão ao chão. As recolhe, vai de novo: primeira, segunda, terceira, chão. Repete o gesto, calculadamente, e há 30 segundos do verde, sai desanimado para a calçada.

Felipe se faz de derrotado. Motoristas que, normalmente, estão mais preocupados com o tempo que perdem ali, se comovem. E os comovidos o chamam com notas e moedas. Uns continuam não ligando e até dão risada.

Pena e culpa é a “sensação de merda” que sente o motorista Jurandir, aquele do SUV, e que Lipe usa a seu favor. Enquanto a concorrência acerta os malabares Lipe sempre erra, de propósito, e ganha seu dinheiro com isso, bem mais do que os outros, porque, nesse caso, percebeu que o erro comove mais do que o acerto.

Errar é a isca de Felipe. E isso vai sustentar sua casa. Quem sabe, realizar seu sonho e vencer o sistema que o condenou. Educado, ele agradece.

– que deus te dê em dobro.

Thiago Domenici, jornalista

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

sampa

Amanhã será segunda-feira. Vou até Perus, bairro que ficou tristemente célebre por conta de um cemitério clandestino. Irei entrevistar uma agente de saúde, candidata a um prêmio de direitos humanos. Tomara que ela ganhe, pois é uma dessas guerreiras anônimas que se espalham pelo Brasil. Pegarei o metrô da linha Amarela - sem condutor e com portas corta-suicídio. O ponto final é a majestosa Estação da Luz. Lá subirei num trem da linha Rubi. Adoro trens! Máquinas que fazem a gente voltar no tempo sem deixar o presente.

Amanhã será terça. Vou para o Mercado Municipal. Baterei papo com a Marinalva, paraibana que vende queijo coalho, carne de sol, relicários. Ela é de Campina Grande, onde acontece o Maior São João do Mundo. O jeito dela falar me faz lembrar da dona Fernanda, a primeira xará que conheci. Ela tinha uma banca de ovos e um olho de vidro. Minha avó Afonsina, não sei se inventando ou honrando a verdade, dizia que o olho da feirante tinha sido furado por um garfo.

Amanhã será quarta. Vou para as bandas do Bom Retiro com a minha mãe. Sacolejar a sacola pela Zé Paulino, pela Três Rios, pela Barra do Tibaji. Afinando os ouvidos para velhos judeus e árabes naquela conversa de comercializar tecidos. Quando eu era criança desejei ser caixeira-viajante. Sonhava em arranjar uma mala de couro e fugir vendendo apetrechos de costura e panos coloridos de cidade em cidade.

Amanhã será quinta. Momento sabático da semana. O que vou fazer não conto. Para ninguém.

Amanhã será sexta. Dia de acender velas para o São Google e rezar pela Wikipédia, além de entoar salvas à banda larga. Vou observar alguns sites e ver a quantas anda o cordel eletrônico das redes sociais. Verificar quem ainda me ama e quem já me esqueceu. Como cada vez tenho menos dinheiro e mais anos, estou tentando me tornar uma webredatora, uma profissional do futuro. Talvez ainda dê tempo.

Amanhã será sábado. Vou assistir a uma palestra no Museu da Resistência, no prédio do antigo e famigerado Dops. O assunto é a abertura dos arquivos da ditadura e o direito à memória política. Quando eu tinha oito anos, rolou o golpe militar de 64. Meu pai, comunista e sindicalista, foi preso. Também foi demitido do Banco do Brasil, sem direito a nada. A família que era classe média ficou pobre. Ou quase.

Hoje é domingo. Dia da libertação dos trabalhadores. Ainda cedinho vou para a praia. Não preciso de maiô, toalha, havaianas, filtro solar. A praia que mais gosto de frequentar é a Padaria Letícia na rua Natingui. Vou pedir o de sempre. Um expresso. Uma canoinha francesa na chapa com requeijão. Um ovo frito com a gema bem molinha. É fácil ser feliz.

fernanda pompeu, escritora e redatora freelancer, colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas. Ilustração de Carvall, especial para o texto.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SP precisa ser "Bossa"

São Paulo, te amo
Te amo, São Paulo
Na tarde tão fria
Busquei teu calor,
teu amor em São Paulo
Tom Jobim


Hoje, além de aniversário de São Paulo, 458 anos, é Dia Nacional da Bossa Nova (e aniversário de Tom Jobim), dos movimentos culturais mais importantes da história do país.

Nova York, gravação de "Stan Getz e João Gilberto".
Da esquerda para a direita: Tião Neto, Tom Jobim,
Stan Getz, João Gilberto e Milton Banana
.
Além disso, como curiosidade, a palavra bossa era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos 50, significava 'jeito', 'maneira', 'modo'. Era o diferente, o original. E a expressão 'Bossa Nova' surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo.

O Dia Nacional é recente. Segundo a Agência Senado "O Congresso aprovou em março de 2009 projeto (que resultou na Lei 11.926, de 17 de abril de 2009) instituindo o Dia Nacional da Bossa Nova, a ser celebrado no dia 25 de janeiro."

Quem ainda não viu, vale a pena acessar o recente site criado em homenagem a Nara Leão, cantora importantíssima desse período, que completaria 70 anos neste mês e que tem toda sua discografia disponível para se ouvir online.

PANO RÁPIDO
São Paulo - que Tom Jobim declarou seu amor - precisa comemorar seu povo. E seu povo precisa melhorar São Paulo. A começar pela escolha de seus representantes.

O discurso é velho, eu sei, mas nos lembremos hoje, como exemplo, que ainda está em curso a aberração municipal em curso na cracolância e que tem deixado muitas cicatrizes em usuários desamparados.

Segundo o Datafolha de hoje, 90% aprovam internação involuntária de usuários. Ou seja, "devem ser internados mesmo que não queiram".
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